Força Três, vida, Ser e autoisolamento

 

Esta é a terceira e última postagem sobre a Lei de Três. Com isto eu espero ter promovido maior compreensão sobre esta importante Lei do Universo e as consequências em nossa psique. Caso não tenha visto ainda as outras duas postagens você pode acessá-las clicando aqui e aqui. Na última postagem sobre a Lei de Três abordei a necessidade de aprendermos a nos autoisolar das influências da vida. Assim, é necessário entender a diferença em realizar um autoisolamento da Força Três da vida e de se retirar da vida, pois, são atitudes completamente opostas.

 

Retirar ou autoisolar?

Retirar-se da vida é justamente o que fazemos o tempo todo. Estamos constantemente nos retirando da vida por estarmos presos na polarização entre o que “eu gosto” x “eu não gosto”. Igualmente, vamos mecanicamente vivendo rejeitando conteúdos e nos retirando da cena da vida e afastando de sua plenitude. Ou seja, isolar-se da Força Três oriunda da vida é isolar-se destas influências mecânicas entre o que gostamos (forças que afirmamos), que não gostamos (força que negamos). Em outras palavras, da força Três da vida que nos divide em grupos homogêneos, porém, em constante conflito com grupos opostos.

 

Portanto, aprendendo a nos isolar da vida conseguimos, então, reservar energia para o Trabalho interior e o crescimento de nossa Essência. Caso contrário estaremos sempre perdendo energia para a vida. Quanto mais ficamos imersos em notícias de jornais, grupos de mensagens instantâneas, preocupações com o que está acontecendo na vida, preocupações em estarmos em algum lugar ou termos algo, mais dedicamos energia a vida e menos energia para o nosso Ser. Por outro lado, isto não significa tornar-se alienado ou irresponsável perante as demandas e necessidades da vida. Logo, precisamos viver na vida e usufruir desta, mas, não podemos nos diluir na vida exterior.

 

Você se cansa por estar preso a Força Três da vida

Qual o efeito de não saber se isolar destas influências da vida? Cansaço, desânimo, depressão, baixa energia, dores corporais, vontades compulsivas e assim vai, pois, a lista é enorme. Em suma, com toda esta energia consumida nunca temos tempo ou forças para realizar o nosso Trabalho interior. Ficamos então em um ciclo vicioso, dentro de um padrão repetitivo que não existe transformação.

 

Maurice Nicoll continua em sua explicação: “Em outras palavras, se você tem essa atitude agindo mecanicamente em você, você não será capaz de se isolar da força da vida e colocar-se no caminho certo. Você sempre espera que a vida seja diferente. Embora seja verdade que a vida é diferente em diferentes momentos e períodos, uma observação sutil nos permite ver que a vida é realmente sempre a mesma. Pode ser um pouco melhor ou um pouco pior, mas, é a mesma coisa o tempo todo”. 

 

Quando  vivemos situações calamitosas como a atual pandemia, outros desastres  ocasionados pelo homem ou pela natureza, as pessoas dizem: “Por que as pessoas não conseguem se reunir e evitar todos esses horrores e desastres? “A resposta é que a vida como uma força neutralizadora é impossível de fazer isto acontecer. A vida não pode trazer consciência as pessoas. 

 

 

Todo mundo pensa que já é consciente

 

 

A força Três da vida não cria transformação

Enfim, poderiam as pessoas aprender com tais situações, conseguiriam se lembrar dos erros, poderiam alterar as coisas e impedir novas catástrofes de uma vez por todas? Pela ótica do Trabalho interior a resposta é que nós ainda não estamos conscientes, agimos como um ser mecânico acionado pelas várias forças da Terceira Força da vida. No entanto, podemos nos submeter a outra forma de Terceira Força chamada Obra ou Trabalho interior que possui capacidade de transformar o nosso Ser.

 

Assim como a transformação somente ocorre quando nossa  personalidade que foi adquirida, pelo que nos foi ensinado em nossa primeira educação, deixa de ser ativa em nós. Porém, para que isso aconteça deve haver uma Terceira Força bem diferente atuando sobre nós, ou seja, influências bem diferentes das  quais hoje seguimos, procuramos e obedecemos. Ao longo do nosso Trabalho interior buscamos desde o estágio elementar seguir tipos de influências bem diferentes daquelas que pertencem à vida. Nós tentamos nos tornar muito mais conscientes, aprender a identificar emoções pessoais  com estados negativos, com atitudes erradas que faça-nos criar “contas” um contra o outro. Dessa forma, no Quarto Caminho estudamos como ficar sob as influências de uma terceira força bastante nova, mas, nova apenas no sentido de que não a seguíamos antes.

 

Nada mais novo do que os velhos ensinamentos

O ensino do Quarto Caminho não é novo. Até provável ser mais antigo que a humanidade. Então, o problema nunca foi a falta de opção ou oportunidades. O problema sempre é que não trabalhamos em nós mesmos porque não desejamos, nunca por falta de oportunidade. Assim como esperamos que tudo venha a melhorar e não enxergamos que nós mesmos precisamos mudar para que as coisas melhorem. Em contra partida, pessoas com disposição em trabalhar podem mudar esta realidade. Podemos nos conectar com uma Terceira Força que não pertence à própria vida. Igualmente podemos ver por nós mesmos que esta Terceira Força com a qual estamos tentando entrar em contato não tenta separar as pessoas. Ao contrário, atua para uni-las. Podemos ajudar uns aos outros de maneira que um possa atuar no outro para desperta-lo.

 

Dessa forma, no Trabalho de consciência pelo Quarto Caminho falamos sobre nós mesmos e sobre a autotransformação. Assim como sobre mudar a nós mesmos e aprender a submeter-se a novas influências. E se queremos fazer isso, temos que nos isolar da força da vida, temos que fazer isso pela quarta maneira deste Trabalho sem nos isolarmos fisicamente. Temos que fazer isto aqui e agora no meio da nossa vida atual. Logo, estar no Trabalho interior requer termos objetivo em conexão com a mudança de si mesmo. Por fim, pessoas que estão bastante satisfeitas com o estado de seu Ser não são realmente adequadas para este trabalho.

 

Mas você sabe o que mudar ?

Pergunte a você: Você quer mudar alguma coisa em si ? Você já se deparou com essa questão? Uma das ideias do Trabalho interior é que “Se mudamos o nosso Ser, mudamos nossas vidas e assim a vida muda”.

 

Agora todo mundo provavelmente deseja ver mudanças em sua vida. Todo mundo sente que deveria ter uma vida melhor. 

 

Mas o Trabalho diz que seu Ser atrai sua vida e que, se você quiser mudar sua vida, precisa começar a trabalhar em si mesmo e mudar seu Ser, que está constantemente atraindo esta vida que você fez. 

 

Nicoll diz ainda em outras palavras que “devemos começar a brigar com nosso  Ser atual, com o tipo de pessoa que somos. Isto é de grande dificuldade e necessita ser feito aos poucos para não quebrarmos a nossa antiga casa enquanto ainda não fizemos uma nova moradia.”

 

Se não nos isolamos não temos energia para trabalhar em nosso Ser.

 

Qual o nível do seu Ser?

Ao trabalhar em nosso Ser pelas técnicas do Quarto Caminho começamos a ver em que nível nosso Ser está. Às vezes,  podemos ter vislumbres do nosso estado de ser e descobrir como nos sentimos sobre nós mesmos e nossa vida passada. Em tais momentos, descobrimos, ou melhor, nos é revelado, que não somos nada parecidos com o que supomos ou imaginamos, e que a imaginação desempenhou um papel tremendo em tornar nossa vida tolerável para nós mesmos e que as nossas imagens são as mais queridas por nós mesmos. Agora, esses momentos de “lembrança de si”  nos deixam mais dispostos a trabalhar para elevarmos o nosso Ser e isso nos permite entender o que significa quando o Trabalho diz que nossa vida não mudará a menos que nosso Ser mude. Como resultado, isto ocorre quando começamos a fazer conexão do Trabalho com nós mesmos.

 

Força Três do Ser

Se a vida é muito forte e nos hipnotiza  completamente, se estamos sempre vendo o nosso objetivo como estando fora de nós mesmos, imersos e diluídos no mundo, não seremos capazes de isolar nós mesmos suficientemente do poder terrível da Terceira Força da vida, e não entenderemos do que se trata o trabalho – ou seja, sobre mudar a nós mesmos. Nossos problemas, nossas queixas, nossas formas de culpa são apenas materiais que temos de trabalhar através da lembrança de si mesmo, através da não identificação, por não fazer contas contra outras pessoas.

 

Dessa forma, a menos que nos observemos, não podemos fazer nada disso. Primeiro devemos aprender sobre o Trabalho interior e sobre nós mesmos antes de começarmos este trabalho. Posteriormente, as idéias da Obra, se recebidas com entendimento, começam a gerar um novo conjunto de conexões e estas nos conduzem a ajuda. Estas novas conexões, esses novos caminhos de associação, são a nossa segunda educação. Esta segunda educação é exatamente do que se trata o Trabalho.

 

Não podemos elevar a nós mesmos. A força que nos eleva tem sua origem na Terceira Força que abre a um nível mais alto de entendimento. Nós precisamos acreditar no Ser Humano Superior. Devemos acreditar que há algo, e, este algo já está lá mais alto do que nós. Nós devemos acreditar em uma Mente Maior. Caso contrário, nossas mentes estão sempre fechadas. O caminho está fechado se olhamos para baixo, como os animais, para a Terra física.

 

 

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Conceitos novos aqui abordados que serão mais explorados em novos artigos

Lembrança de Si

Nível do nosso Ser

Eterno retorno

 

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Notas de referência.

 

comentários de Maurice Nicoll sobre os trabalhos de Gurdjieff e Ouspenski. Este Trecho é parte da obra Nicoll, Maurice. Psychological commentaries volume 2, july21, 1945.

 

 

 

 

 

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2 comentários em “Força Três, vida, Ser e autoisolamento”

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